História! Parte 12

Parte 12 gente!!! É tão empolgante!! To pirando aqui hahaha. Ele ficou um pouquinho grande pois eu não queria dividir a história então...
Enfim fim... um beijo, espero que gostem e uma boa leitura :) 


"Cap. 12
Eram seis horas da manha quando me acharam ajoelhada no final da rua onde não tinha casa, olhando um morro que descia até acabar em um pequeno rio, olhando o nascer do sol mais triste e horrível da minha vida. Uma mão quente tocou meu ombro. Fiquei imóvel, em quanto mais lagrimas ofuscavam minha visão novamente.
- Sabe... é estranho achar uma menina linda chorando ajoelhada de frente para um morro – Leo se sentou ao meu lado e segurou os joelhos dobrados na frente do corpo. Ele não disse nada sobre Carol, o que me deixou ainda mais irritada, triste, seja o que for doía. Muito – Sua mãe me ligou de madrugada, gritando comigo, ela achava que eu tinha te sequestrado ou algo do gênero. E pra você saber... ela que insistiu para pegar meu numero lá no hospital. Por isso ela ligou para mim. Ela meio que se desespero quando viu que “por a caso” o alarme tinha disparado as duas horas da manha, e quando foi ver se estava tudo bem com você, você não estava lá. Eu contei a ela sobre a Carol, bia. Ela disse que provavelmente você devia estar na esquina de casa esperando um ônibus para te levar ao local. Parece que ela estava enganada... – Ele deu um sorriso triste e vi seu rosto ficar um pouco vermelho e seus olhos se encherem de lagrimas, mas ele não chorou.
Mais lagrimas saíram ao pensar em Carol naquele carro... pegando fogo... E Leo me abraçou. Seus braços formavam uma sensação quente ao redor de mim. Me sentia fraca e indisposta. Não sentia meu coração bater com força. Fechei os olhos e me deixei levar pelo doce cheiro de amaciante em sua camisa. Aquele não era o clima que eu queria. Não era a situação que eu queria. E eu simplesmente havia desistido. Ela morrera pensando que eu estava brava com ela? Ela... esquece.
- Ela disse que sentia sua falta – Leo fala, e algo em sua voz me faz me desaninhar de seus braços e olha-lo com as sobrancelha em uma posição de frustração. – No dia... que ela me falou que você parou de dançar. Disse que sentia falta de comer Kit-Kat de madrugada na cama do seu quarto. Que vocês haviam se afastado um pouco.
Mais lagrimas saiam. Uma sensação de angustia misturada com um vazio escuro do tamanho de  um universo enchia meu cérebro de besteiras. Eu estava confusa. Com vontade de socar algo. Mas ao mesmo tempo tão triste que sustentar o peso das minhas pernas por alguns segundos seria muito esforço.
Tinha vontade de gritar, de espernear mas eu não conseguia fazer nada por algum motivo qualquer palavra doía. Conseguia apenas ficar calada. Tantas perguntas sem resposta, que nunca seriam respondidas. Porque ela havia falado mau de mim para minha mãe no hospital? E ela sentia falta? Passei noites em claro pensando apenas em mim. E ela sentia a minha falta. Eu era uma péssima amiga, eu... eu... eu não merecia te-la como amiga. Pensava apenas em mim. Em mim. Em mim. Viro o rosto para o outro lado, os olhos de Leo me deixavam triste. Eu precisava dançar. Eu precisava me expressar, e precisava... de minha amiga aqui.
Fecho os olhos esperando o tempo passar e me dizer que quando abrisse-os aquilo era tudo um sonho. Leo apenas me olha, era melhor assim. Eu queria me afastar dele. Por algum motivo sua presença me magoava tanto que doía.
- Você pretende falar alguma coisa? – Ele falou com voz doce, não havia reparado que não falara nada dês de que ele chegara. Em resposta apenas olho para baixo. – Okay. Você quer ir para casa?
- Não – Falo fria. Essa pequena palavra fizera minha garganta arder.
– Você quer ir comer alguma coisa? – Leo. Sempre tentando me agradar. Leo. Eu também não o merecia. Ele não me merecia. Eu. A pessoa que apenas dançava, não sabia fazer nada, se não dançar.
- Não – Olho para o morro. Penso se me atirar dele faria o nome de Carol parar de pulsar em minha mente. Não estava com o minimo de fome. Não queia comer. Era tão difícil expressar em palavras o que eu sentia. Era tão... Carol entendia.
- Você me acompanharia então? – Aceno com a cabeça em resposta. Precisava distrair minha mente. Eu precisava apenas... me distrair.

Depois de alguns minutos me levanto e olho ao redor, não saia onde estava. Talvez no começo do morro, talvez no final. Eu estava perdida. Era assim que me sentia. Perdida.
- Que tal um café na Starbucks? – Ele perguntou me segurando pela cintura, sustentando meu peso.
- Não trouxe dinheiro. – Falei fechando os olhos e segurando o choro. Estávamos andando devagar, um passo de cada vez. Passei a mão no meu cabelo longo tentando ficar um pouco mais apresentável, meu cabelo estava solto e que não havia reparado que tinha crescido tanto. Estava batendo quase em minha cintura.
- Não tem problema, eu pago – Ele sorriu doce para mim. Me sentia mal de -lo pagando coisas para mim então disse que não, mesmo sabendo que não iria comer nada. – Tudo bem... faz tempo que não pago alguma coisa para você. Vem. – ele segurou na minha mão e começou a andar um pouco mais rápido, mas ele não parou no Starbucks, parou na frente de um prédio.
- Você quer ir no banheiro ou algo no tipo? – Ele olha para mim com aqueles olhos tão azuis que sinto uma parte do meu peito gritar seu nome. Ele era lindo. Penso na resposta.
- Eu vou no StarBucks. – Eu ia dizer “estou bem, não se preocupe” mas mentir não era uma coisa que eu fazia de melhor, então apenas o observo falar com o porteiro que abre uma porta de ferro ao lado do portão.
- Mesmo assim. Vem, eu... quero te mostrar uma coisa – Ele pega minha mão e me puxa para dentro do grande prédio branco e bege. Entramos no saguão, nada de mais, um sofá, algumas poltronas e uma TV de tela plana gigante com o volume alto. Havia algumas pessoas assistindo a TV em quanto tomavam café. Saímos em um corredor cheio de portas que dá de cara com um elevador.
Subimos até o penúltimo andar, e já me sentia um pouco tonta, altura nunca foi o meu forte, nem o de Carol. Carol. Seu nome não saia de minha cabeça, e a cada letra que saia de seu nome uma faca era cravada em meu peito. 15º andares, e eu estava no 14º no apartamento 73, com Leo, um Dalmata que ocupava 1% do espaço da casa e a mãe de Leo.
Ele abre a porta devagar e vejo um grande cachorro pintado correr cansadamente para a porta. Leo se ajoelha e faz carinho atrás da orelha do grande dalmata, sorrio tristemente ao pensar em Adônis, e que quando era menor também fazia a mesma coisa. Leo se levanta e foi a minha fez de fazer carinho no cão. Me ajoelho devagar e passo a mão pelas orelhas pintadas. Olho bem no funo de seus olhos castanhos e consigo ver nele o mesmo olhar que Adônis fazia.
- Oi! – Diz uma voz feminina dentro da casa, olho para cima e vejo Marta, mãe de Leo, com os mesmos olhos azuis penetrantes dos de Leo. Esboço um sorriso triste para ela e me levanto. – Você deve ser a Bia, Leo me falou muito bem de você!
- Mãe... Ela é a amiga da Carol que eu estava falando – Leo fala olhando para o chão e procurando minha mão enquanto fechava a porta atrás de si.
- Wou... Meus pêsames querida. Eu sei como dói perder alguém importante. – Via sinceridade em suas palavras, apenas sorri em resposta sentindo meu nariz avermelhar e meus olhos embaçarem novamente. Mas me contive.
- Bianca, prazer – Falei sem muita animação.
- Bem... não era assim que eu imaginava conhecer a namorada de meu filho mas, prazer, Marta mas pode me chamar de tatá. Anastácia também é sua amiga? – Fechei o rosto ao ouvir o nome de Anastácia. Ela estava com as minhas pontas. Ainda iria me vingar, ainda iria.
-Não – respondi rápido.
- Ainda bem. Não que seja se minha conta, mas eu não gostava daquela menina, chegou já gritando com o nosso velhote Bob – Ela aponta para o Dalmata que se esfregava no carpete. Seu pelo era tão branco e suas manchas tão nítidas que tinha certeza que ele era limpo o bastante para ser usado de toalha de rosto. Não que eu fosse faze-lo. Mas daria. – disse que odiava cachorros, que eles eram imundos e fediam. Também chego dizendo que eu seria a sogra dela em breve, veja que mal educação! Leo querido, era ela ontem de madrugada? – Olhei para Leo com uma cara de desconfiada. O que anastácia estaria fazendo aqui de madrugada?
- Não. Já ia me esquecer. Só um minuto Bia – Ele olhou para a mãe – Mãe... – Ele não terminou a frase, apenas se virou e foi em direção a um longo corredor com varias portas.
- Bia! – Ela chegou mais perto e deu um beijinho em minha bochecha. Ela me levou a sala de estar onde nos sentamos em um sofá bege muito bonito de frente a uma TV de tela plana de 46 polegadas que estava ligada em um canal de noticias – Você deseja comer alguma coisa?
- Não muito obrigada – Falei olhando a decoração da sala. – Bela sala.
Eu estava em um mundo tão vazio, que fazia minhas ações já no automático, como se aquele corpo não fosse realmente meu.
“... E em Pernambuco, a maré será cheia nos próximos 2 dias. É com você Cláudio” a repórter falou e o cenário mudou. O tal “Cláudio” era um homem em um fundo azul cheio de pontinhos marcando as cidades do Brasil, era velho e tinha uma voz grossa. Seu curto cabelo branco se negavam a ficar parado em quanto ele falava sobre a rede de hospitais da nossa cidade.
- Então, Bia... – Marta falou, mas algo na voz no jornalista me fez paralisar.
“Na noite passada, dia 29 do sete, um casal de amigos foram queimados dentro de um sedã” A noticia me faz levantar e ficar de frente para a tv, minha respiração sai do automático e minhas mãos começam a tremer sem parar. “Os jovens estavam voltando de um bar quando o motorista menor de idade perde o controle do veiculo por estar bêbado e acaba batendo em um poste com fiação elétrica de alta voltagem que acaba caindo sobre o carro, os fios acabaram entrando em contato com as roupas dos jovens que se incendiaram na hora fazendo o banco, o cinto o carro e eles, pegarem fogo.” Estava de joelhos entre lagrimas e soluços quando a noticia acabou, em quanto o ancora falava, imagens de Carol e um menino que não conhecia passavam na TV. Senti Marta e Leo tocarem em meus ombros. Botei as mãos no rosto e mordi a palma da minha mão para ver se a dor do meu peito parava. Mas não adiantou. Nada adiantaria. Me levantei e abracei Leo, ainda chorando muito. Como doía. Perfurava como prego em madeira e era quente como o fogo. Provavelmente meu rosto estava muito inchado. Leo me abraçou forte e eu senti algo duro em suas mãos.

- Bia... Quem esteve aqui ontem a noite não foi a Anastácia. – ele ainda me abraçava. – Foi meu amigo e a Carol."


Histórias!

Parte 9

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